Habilitações
* Pós-Graduado
em Assessoria Jurídica, pelo ISG - Instituto Superior Gestão
(Business School); Rua Vitorino Nemésio, 5, P - 1750 -306 Lisboa,
Portugal.
*
Licenciado em Direito, pela Faculdade de Direito da Universidade
de Coimbra,
Portugal; Pátio da Universidade, P - 3004-545, Coimbra, Portugal.
* Ensino Primário e Secundário no Colégio de
São João de Brito; Estrada da Torre, 28, P - 1769-004 Lisboa,
Portugal.
Livros
Publicados
* A Ordem
do Mundo (Publicações: Quasi Edições, 2005;
Quasi
Edições, Av. Carlos Bacelar 968, salas 3A e 4ª,
4764-901 V. N. de Famalicão,
Portugal; Email:
quasi@doimpensavel.pt; Web:
www.quasi.com.pt).Phttp://www.
* A Função
do Geógrafo (Publicações: Quasi Edições,
2000;
Quasi Edições, Av. Carlos Bacelar
968, salas 3A e 4ª,
4764-901 V. N. de Famalicão, Portugal; Email:
quasi@doimpensavel.pt; Web:
www.quasi.com.pt).Phttp://www.
Colaborações
* A Sophia –
Homenagem a Sophia de Mello Breyner
Andersen
(Antologia de homenagem de vários escritores a Sophia de Mello
Breyner Andersen; Organização: PEN Clube Português; Editorial
Caminho; Lisboa, 2007)
*
Antologia da Nova Poesia Portuguesa (Bacchanales, Revue de
Création De La Maison De La Poésie Rhône-Alpes,
nº 33,
2004) (Couvent des Minimes, Rue du Docteur Lamaze, 38400-Saint-Martin-d'Hères, France ;
Email : maison.poesie.rhone.alpes@wanadoo.fr).
* Anos 90
e Agora. Uma Antologia da Nova Poesia Portuguesa (Quasi
Edições, Edição de 2001 and 2004).
* O Futuro
em Anos Luz, antologia poética editada no âmbito da
Porto 2001 – European Capital of Culture ( Quasi Edições, 2001).
Colaborações
em Publicações e Revistas
*
Relâmpago – Poesia Portuguesa Recente (Revista da
Fundação Luís Miguel Nava, Lisboa, Portugal, nº 12, 2003).
* Inimigo
Rumor (nº 15, dedicada ao poeta português Ruy
Belo, by
Viveiros de Castro
Editora Ltd. R. Jardim Botânico 600/307 Rio de Janeiro, Brasil - RJ
cep. 22461-000).
Colaborações
em Festivais e Encontros
* Autor
seleccionado para Polaroids – Instantâneos da Nova Poesia
Portuguesa (Lisboa, Portugal; organização: São Luís
Teatro Municipal, 2006).
* Autor
seleccionado para Festa da Poesia, Nova Poesia Portuguesa
(Matosinhos, Portugal; organização: CMM e Biblioteca Florbela
Espanca, 2005).
* Autor
seleccionado para Jornal falado da Actualidade Literária
(Lisboa, Portugal, Calouste Gulbenkian Foundation; organização:
PEN CLUB, 2001).
Informação
Adicional
* Writer-in-Residence em “Passa Porta –
“Villa Hellebosch” (Vollezele, Belgium)
February/March 2007 - (Résidences pour les Écrivains et les
Traducteurs; Organization: Het Beschrijf, A. Dansaertstraat
46– 1000 Brussels, Belgium; Email:
info@residencesinflanders.be;
Web:
www.residencesinflanders.be
and The Flemish Literature Fund, Generaal Capiaumontsraat 11
Box 5, 2600 Berchem, Antwerp, Belgium; Email:
info@fondsvoordeletteren.be;
Web: www.fondsvoordeletteren.be)
* Writer-in-Residence em “Le Château de
Lavigny” (Lavigny, Lausanne, Switzerland),
Junho/Julho 2006 (Residence Internationale pour Ecrivans;
Organization: Fondation Ledig-Rowohlt, Montbenon 2,
Case postale 5475, 1002 Lausanne, Switzerland; Email:
chlavigny@hotmail.com;
Web:
www.chateaudelavigny.ch)
* Autor
seleccionado para a Secção Portuguesa da Poetry
International Web (Web:
www.poetryinternational.org).
* Membro do PEN
Clube Português (Web:
penclube.no.sapo.pt)
* Membro da
Associação Portuguesa de Escritores Juristas (APEJ).
Alguns poemas
1.
Se quiseres que eu
me perca
buscarei outra
ilha.
Esperarei a sombra
diante dos olhos,
o milhafre na
ravina de crisântemos.
Ao longe, correndo
para a primeira luz do dia,
estarei à tua
espera,
acenando com a mão
esquerda,
avançando sobre o
mar.
Não te esqueças,
aprendi um dia como
deus nos traz um sono
leve que nos cega.
5.
Estreita o passo ao
avistares a encosta dos rios.
Da nascente ao vale
nunca saberás o que acontece.
Louva os rios
inertes subindo um a um aos afluentes
- alastra os teus
lamentos pela margem.
Recordarás os
cisnes na estação da lama fria,
o seu despovoado
rumo sobre os campos.
E se o segredo dos
rios te fizer chorar
regressarás por fim
pelos campos
inundados
como os cisnes tão
solitariamente rumando
rio abaixo.
6.
Cautela com as peregrinas viajando pelos campos:
trazem no peito
ondulante as escarpas do ardor.
Caminha ainda uma
vintena de horas no bosque límpido,
não ouses escutar a
fragrância das canções.
E ao afastares o
passo por entre as folhas de ciprestes
verás os formosos
terrores
nos nós mais áridos
do corpo.
11.
Não é difícil um
homem apaixonar-se.
Ferir a sua
paisagem,
cinzas de um
passado caído, fluente.
Ao fim de vidas
partilhadas pode ser que
diga « estremeci
durante anos sem te
abraçar ». Agora é tarde.
Agora é tarde sobre
a terra cercada.
Por planícies ficou
o desespero,
a dor lilás dos
homens soçobrados
na paciência
nocturna.
Só depois do terror
os cães ladram fielmente
aos portais da
manhã, só
após o gume das
vidas partilhadas.
« Passei a vida a
fugir para a tua boca », e
confundo já o teu
rosto
com um qualquer.
12.
As vozes partiram..
Voaram para fora do
terraço deixando-os sós.
Os homens têm medo
de chorar sozinhos.
Por isso escutam as
histórias prodigiosas uns dos outros.
Assim toleram o
amor falhado,
o amor flectindo na
face como cachos de uvas.
Os homens
perderam-se,
ficaram
desamparados e retidos
com medo da noite.
Não voltarão a
estender-se no cansaço branco da juventude.
Apertam nas mãos
rosários de oiro
sob os alpendres
e deixam-se fitar
pelas mulheres que passam
altivamente.
Ao fim da noite
adoecem no calor
dos terraços,
escutam em silêncio
os poemas de kavafis.
Ao fim da noite,
as mulheres
apaixonam-se perdidamente por eles
e dão-lhes as almas
para que as protejam.
13.
Não temas sem mim,
não chores
mais, não queiras
que levem os olhos
a essa noite vã.
Há que suster o
passo em segredo,
colher uma só
semente do centeio
deixar que o dia
nos assombre com uma palavra só.
Acredita que mesmo
longe
guardamos a solidez
em que nos
esperávamos
como se soubéssemos
ainda toda a esperança.
Acredita que com
três passos só
retomaremos a
candura
e um anjo ainda
tornará
discretamente longa a nossa ausência.
15.
Esta é a terra
nocturna. A do liquene azul do poente.
Receberemos nos
ombros a incandescência dos cedros.
A noite tem um
chacal que vem comer os viajantes,
insinua-lhes
sigilosamente na nuca o ocidente acabado.
O coração espera o
último lugar do mundo,
o inevitável
presságio dos meses costeiros.
Que mistério sobe
ao planalto cultivando o liquene ?
Que segredo abençoa
os campos onde pastam hirtos os cavalos ?
O nosso silêncio
reacende a morte na terra nocturna.
Em cada benção só
lembramos os rostos que um dia amámos.
Os mortos levitam
na urze, enchem o ar das ilhas,
os cavalos
reúnem-se sob os cedros abatidos.
21.
Vejo com os olhos
de deus.
Adormeço como ele
sobre as paisagens.
Dispus
cuidadosamente o sangue pelas areias,
ao dobrar o cabo
dos anos, calei-me.
Ficarei de fora
olhando a vida em
horas mortas
como as crisálidas
que abrem nos fios de água.
O tempo vai
esmorecendo nas pobres vozes,
é uma terra parada
a que nos deixa a descobrir.
E deus cala-se a
meu lado, adormecido
como o melro
docemente tranquilo.
25.
Este é um recado de
amor, do possível esquecimento.
Agora os olhos não
crêem mais na certeza de chegarem ao
fim, ao mar
esfumado dos bordos da ilha,
o imperecível canto
da alma.
Como o estrangeiro
vigiando do rochedo a ondulação das marés,
sabendo chegado na
espuma o fim da procura,
eis chegado o
momento de recostar as mãos
e situar o túmulo.
(In A Função do
Geógrafo)
Dizia
que viajar é poder partir-se para o lugar
em frente,
que cada lugar só impressiona porque sugere
a visibilidade do próximo.
E que no fim, quando abandonamos tudo
e já não ouvimos senão o repique dos sinos,
as paisagens deixam de existir para não
passar do que a respiração liberta.
“O que nos conduz é podermos sepultar o
corpo noutro lugar;
porque em todos os sítios passados deixámos o corpo
à vista do lugar mais próximo.”
Percebi, sem que mostrasse algum temor,
que havia descoberto a transparência do mundo,
que fora auxiliado pela face
suspensa dos viajantes.
E lembrei-me como o tempo havia de ensinar,
desde a juventude à velhice,
que onde a beleza assola habituamo-nos a uma pausa nos
olhos, nas mãos e nos olhos que são o que nos diz do
pouco do que nos fica sempre.
Dizeis afinal – no que é um claro discurso, companheiro,
e chegada a hora de revelar nossos receios, e talvez mentir,
a hora em que acaso de ti me despeço, em que de
novo fruis, da colina, o largo frio do fim que se aproxima,
não sem antes lembrares ainda como o sol baqueava na erva
espezinhada, por onde em grupos, sob os plátanos, já
na voz cabia a tremura que vinha de ceira rente aos cabelos –
“que só nos convirá em sorte acenar, acenar sempre, e sem remorso,
pois que é no que perdido foi que fomos deixando que se viva.”
Por que ousaremos então mentir, gentil companheiro?
Valerá o esforço em simular, a nossos pobres seguidores,
que nas saudações mais não estamos do que a compensar o nosso medo?
Mentiremos sim, mas por razões distintas, algumas as referiste,
outras mercê de não nos vermos vacilar numa partida mais.
Justamente, tal o faz o cheiro acre das primeiras chuvas sobre o verão,
crescemos de alma em alma que em nós passa e cauciona
a linha que da vida fomos consentindo que se faça.
E no fim, que pode ser o desta hora em que me chamas, no
largo frio de outro ano aproximando-se, outra hora no alto da colina,
cabe-nos, do que prestámos, ser restituídos na lembrança.
Que exíguo impulso se move e não esquecemos?
Em que dádiva de chão dançamos com as mães cantantes,
onde estão as verdadeiras lágrimas, que as não vemos?
Após anos de retiro, lumes brandos, luz de círios,
decorrido que foi o langor de sons pela geada, que
bem remanesce no contorno puído de cidades
– que graça confessamos ter decididamente tocado?
Viemos de longe, de patíbulos que ninguém contará,
evocando pontos brumosos e vagas escolhas,
a custo apartados da dor de uma época a outra sobrepondo-se,
para ver enfim esquivas as mansardas donde partimos
– ainda a maioria sorria nos terreiros, tantos anos –
e perceber que o caminho se faz lançando mão
ao que dele continuamente resvala, inaudível – apagando-se.
O tempo vai sendo abolido, é o tempo da chama sobre a água,
e fomos amiúde derivando do maior para o mais justo,
imersos no ruído de fundo de uma escadaria,
pouco a pouco premindo a vida ao tamanho último,
a essa porção da biografia toda a vez mais nítida,
na qual só um recolhimento, tal a subir-se um vão de escada,
é a raiz do que em favor de nós fizemos,
a alegria que emana após o cativeiro.
Nem a demanda conseguirás
que se acabe – mesmo que a ti a fortuna se confie,
nem o estudo será para teu gáudio – ainda que dos sábios inspirado,
nem te assistirá o talento e o consolo abrandará o teu anseio,
nem que fosse o amor podias viver livremente.
E nem mesmo o profeta ditando versos terá discípulos
se jamais concilia os escrivães com a sua mágoa,
nem o jovem será de graça favorecido – pois ela o trairá,
nem o rio que outrora baptizaste lembrarás
se sob a névoa o não vires primeiro.
Donde ides então para que vos siga piamente
– acaso atalharemos o país de cerradas dunas como campas,
quando na distância os dois brilharmos – os
dois entre solenes risos de guardar silêncio?
Longe do que pensaríamos algum dia consentido,
longe de nos julgarmos sob funesta sina,
do que irá passar-se brevemente o saberemos:
– muitas vezes soubemos quanto a beleza tarda,
mas só ela tolera dispormos do mundo fugazmente
e com essa cega mágoa ir mais além.
(In A Ordem do Mundo)
subir
Quelques poèmes
1.
Si tu veux que je me perde
je
chercherai une autre île.
J’attendrai l’ombre devant mes yeux,
le milan
dans le ravin de chrysanthèmes.
Au loin,
courant vers la première lueur du jour,
je
t’attendrai,
faisant
un signe de la main gauche,
j’avancerai jusqu’à la mer.
N’oublie
pas,
j’ai
appris un jour comment dieu nous apporte un sommeil
léger
qui nous aveugle.
5.
Ralentis
le pas quand tu apercevras le coteau des fleuves.
De la
source à la vallée jamais tu ne sauras ce qui se passe.
Célèbre
les fleuves inertes, remonte-les un à un jusqu’aux affluents
-
répands tes complaintes sur le rivage.
Tu te
souviendras des cygnes à la saison de la boue froide
et de
leur route désolée au-dessus des champs.
Si le
secret des fleuves te fait verser des larmes,
tu
rentreras finalement à travers les champs
inondés
tels les
cygnes qui font route si solitairement
le long
des fleuves.
6.
Attention aux pèlerines qui voyagent à travers champs :
elles
portent dans leur cœur ondoyant les escarpements de la ferveur.
Chemine
encore une vingtaine d’heures dans le bois limpide,
abstiens-toi d’écouter la fragrance des chansons.
Et en
éloignant tes pas à travers le feuillage des cyprès
tu
verras les ravissantes
terreurs
dans les
nœuds les plus arides du corps.
11.
Ce n’est
pas difficile pour un homme de tomber amoureux.
Pas
difficile de blesser son paysage,
cendres
d’un passé évanoui, fuyant.
A la fin
de ces vies partagées il se peut que
je dise
« j’ai frémi
des
années durant sans t’embrasser ». Maintenant il est trop tard.
Maintenant il est trop tard sur la terre encerclée.
Dans les
plaines subsiste le désespoir,
la
douleur lilas des hommes qui ont sombré
dans la
patience nocturne.
Seulement après la terreur les chiens fidèles aboient
aux
portails du matin, seulement
après le
tranchant de ces vies partagées.
« J’ai
passé ma vie à courir vers ta bouche », et
déjà je
confonds ton visage
avec
n’importe quel autre.
12.
Les voix
s’en sont allées.
Elles
ont pris leur envol hors de la terrasse, les livrant à la solitude.
Les
hommes ont peur de pleurer tout seuls.
Voilà
pourquoi ils écoutent les histoires prodigieuses des uns et des
autres.
Ainsi
ils tolèrent l’amour déçu,
l’amour
qui fléchit sur le visage comme des grappes de raisin.
Les
hommes se sont égarés,
ils sont
restés désemparés et perclus
de peur
face à la nuit.
Ils ne
s’étendront plus sur la fatigue blanche de la jeunesse.
Ils
serrent dans leurs mains des chapelets en or
sous les
porches
et se
laissent dévisager par les femmes qui passent,
altières.
Au bout
de la nuit
ils
tombent malades dans la chaleur des terrasses,
ils
écoutent en silence les poèmes de cavafy.
Au bout
de la nuit,
les
femmes en tombent éperdument amoureuses
et elles
leur offrent leur âme pour qu’ils la protègent.
13.
N’aies
pas peur sans moi, ne pleure
plus, ne
permets pas que l’on porte les yeux
à cette
nuit vaine.
Il faut
suspendre ses pas en secret,
cueillir
une seule semence de seigle,
laisser
le jour nous éblouir d’une seule parole.
Tu
dois croire que même loin
nous
conservons la solidité avec laquelle nous
nous
attendions
comme si
nous connaissions encore la parfaite espérance.
Tu dois
croire qu’avec trois pas seulement
nous
retrouverons notre candeur
et
qu’une fois encore un ange
discrètement rendra bien longue notre absence.
15.
Telle
est la terre nocturne. Celle du lichen bleu au couchant.
Nous
recueillerons sur nos épaules l’incandescence des cèdres.
La nuit
a un chacal qui vient manger les voyageurs
et
instille secrètement dans leur nuque les confins de l’occident.
Le cœur
attend le dernier lieu du monde,
l’inévitable présage des mois côtiers.
Quel mystère, cultivant le lichen, monte sur le plateau ?
Quel secret bénit les champs où paissent, figés, les chevaux ?
Notre
silence rallume la mort sur la terre nocturne.
Chaque
bénédiction nous rappelle simplement les visages qu’un jour nous
avons aimés.
Les
morts lévitent dans les bruyères et emplissent l’air des îles,
les
chevaux se réunissent sous les cèdres abattus.
21.
Je vois
avec les yeux de dieu.
Je
m’endors comme lui sur les paysages.
J’ai
disposé soigneusement le sang dans les sables,
en
franchissant le cap des années, je me suis tu.
Je me tiendrai à l’extérieur, regardant la vie aux
heures
mortes
comme
les chrysalides qui s’ouvrent dans les filets d’eau.
Le temps
peu à peu s’évanouit dans les pauvres voix,
c’est
une terre arrêtée qu’il nous laisse découvrir.
Et dieu garde le silence à mes côtés, endormi
comme le
merle dans une douce tranquillité.
25.
Voici un
message d’amour, du probable oubli.
Maintenant les yeux ne croient plus à la certitude d’arriver au
bout, à
l’océan qui se fond aux abords de l’île,
l’impérissable chant de l’âme.
Comme
l’étranger qui, d’un rocher, scrute l’ondoiement des marées,
sachant
qu’avec l’écume arrive la fin de la quête,
ainsi le
moment est venu de se croiser les mains
et de
localiser sa tombe.
(In A Função do
Geógrafo)
(note:
Traduit par João Carlos Vitorino Pereira, pour l'Anthologie de La
Jeune Poésie Portugaise, de Bacchanales, Revue de Création De La
Maison De La Poésie Rhône-Alpes (2004).
haut
Some poems
1.
If you want me to get lost
I’ll look for another island.
I’ll wait on the shadow looming before my eyes,
on the hawk in the ravine of chrysanthemums.
In the distance, running toward the day’s first light
I’ll be waiting for you,
waving with my left hand,
pursuing the sea.
Don’t forget,
I learned one day how god brings a light slumber
that makes us blind.
11.
It’s not hard for a man to fall in love,
to gash his landscape –
ashes from a fallen, fluid past.
At the end of our shared lives I might
say “I trembled
for years without hugging you.” Now it’s too late.
Now it’s too late in this besieged country.
Despair remained on the plains,
and the lilac pain of broken men
in the patience of night.
Only after the terror do the dogs faithfully bark
at the gates of morning, only
after the cutting edge of shared lives.
“I spent life seeking shelter in your mouth,” and
already I confuse your face
with some other.
From A Função do Geógrafo.
Translated by Richard Zenith.
He said
traveling is being able to depart for the place
up ahead,
each place impressing us only because it suggests
the next one that will come into view.
And in the end, when we let go of everything
and hear nothing but the bells’ tolling,
the landscapes cease to exist, being no more
than our breathing set free.
“What impels us is our being able to bury
the body in another place,
since everywhere we’ve been we left our body
within sight of the place just beyond.”
I understood that, without showing any fear,
he’d discovered the world’s transparency,
he’d been helped by the hovering
faces of travelers.
And I remembered how time teaches us,
from early youth to old age,
to allow a pause in our eyes whenever beauty overwhelms,
a pause in our hands and eyes which are what tell us
the small part of us that always remains.
Finally you say – in what’s obviously a discourse, my friend,
uttered at the hour of revealing our fears, and perhaps lying,
the hour when I happen to be saying farewell and you can
once more enjoy, on the hill, the vast cold of the approaching end,
not without first remembering how the sun struck the trampled
grass where in groups, under the plane trees, we could feel
in our voices the shiver from Ceira that blew through our hair –
“all we can do is wave farewell, wave always and without regret,
since it’s through what we lose that we let life go on living.”
So why will we dare to lie, gentle friend?
What’s the use of pretending, to those who will follow us,
that our salutations are but a way to compensate our fear?
We will lie, yes, but for different reasons, some that you mentioned,
others born of our loathing to vacillate in another departure.
Like summer under the acrid smell of the first rains,
we grow with changes occurring in our soul, securing
the line we’ve allowed our life to trace.
And in the end, perhaps in this hour when you call me, or in the
vast cold of another year approaching, another hour on top of the hill,
we’ll have – for all we’ve given – our recompense in memory.
What tiny, quivering impulse do we never quite forget?
On what exalted ground do we dance with the singing mothers?
Where are the real tears that we don’t see?
After years of retreat, low fires, candlelight,
after the torpor of sounds covered by frost
and lingering in the fraying contours of cities
– what grace do we confess to having truly touched?
Coming from afar, from gallows no one will ever tell,
with hazy junctures and choices written in our faces,
caught between the pain of one age and the next,
we come to see that the hovels we set out from
– where for years most people still smiled in the yards –
are all but lost and that we make our path by putting our hand
to what continually slips away, fading without a sound.
Time is being abolished, it’s the time of fire over water,
and we’ve repeatedly moved from the universal to the exact,
immersed in the background noise of a staircase,
gradually compressing life to that ultimate size,
that portion of our ever more accurate biography
in which a simple withdrawal, like climbing a set of stairs,
is the essence of what we did in our own favor,
the happiness emerging in the wake of our captivity.
You’ll never succeed in completing
your quest, even if fortune is on your side,
nor will study be your exaltation, though wise men inspire you,
nor will talent help you, or consolation calm your yearning,
and even if you had love you wouldn’t be free.
Not even the prophet dictating verses will have disciples,
since the scribes will never grasp his deepest regret,
nor will grace avail the young man, who’s sure to lose it,
nor will you remember the river you once christened
if you don’t first see it beneath the mist.
So where are you going that I should devoutly follow?
Will we cut across the country dotted by dunes as by tombstones
when in the distance the two of us brightly shine – the
two of us with solemn smiles harboring silence?
Far from what we’d ever think would be allowed,
far from imagining ourselves under an ill-omened star,
what’s going to happen we’ll soon know:
– we often had to wait the longest time for beauty,
but only she lets us take fleeting advantage of the world
and pass, with that blind regret, beyond it.
From A Ordem do Mundo.
Translated by Richard Zenith.
up
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